Belo Monte e as profecias do fim do mundo

BELO MONTE
e as profecias do fim do mundo

No início de 2011, ano em que ocorreria o leilão de Belo Monte, o Movimento Xingu Vivo participou – em parceria com as organizações internacionais Amazon Watch, International Rivers e Google – na elaboração de um pequeno vídeo sobre os prováveis impactos da hidrelétrica durante e após a sua construção.

Uma década depois, ao rever este vídeo – à época considerado catastrofista por  especialistas e, obviamente, pelos promotores e apoiadores da obra -, é penoso constatar que estamos vivenciando uma situação que não apenas corrobora as previsões. O que antecipávamos naquele momento infelizmente não englobou a totalidade da tragédia que vem destruindo cotidianamente a vida dos povos do Médio Xingu, dialogando, de certa forma, com as reflexões de Ailton Krenak sobre o Fim do Mundo.

Resolvemos analisar um a um os impactos previstos na ordem em que foram apresentados, e a partir da percepção das populações atingidas 

 

Fiasco histórico

Dez anos depois do leilão de Belo Monte, a mais ecocida obra do último período se mostra inviável em todos os sentidos. Não só para as populações atingidas, mas também para quem pensou que ganharia dinheiro com a hidrelétrica.

Ainda em 2009, as organizações International Rivers e Amigos da Terra – Amazônia Brasileira publicaram um estudo chamado Mega-Obras, Mega-Riscos, no qual já previam grande parte dos impactos tanto sociais e ambientais para a região, mas também econômicos para os investidores. Nesse sentido, a publicação listou os Riscos de Baixos Retornos, Risco de mercado (risco de que o valor de um empreendimento diminua devido às mudanças em valores  de  mercado) e riscos associados a condicionantes não cumpridas e manobras ilegais. À época, o documento foi enviado ao BNDES, BASA/FNO, Banco do Brasil, CEF, BNB/FNE, Bradesco, Itaú Unibanco, HSBC, Santander, Banco Votorantim, Petros, Caixa FI Cevix, Funcef, Bolzano Participações/Previ /Iberdrola, BES Investimento, Caixa Econômica Federal, BNB e FNO

Belo Monte foi um dos focos centrais da Operação Lava Jato. Como insistentemente denunciado por nós, a usina só se justifica pelo montante de recursos desviados para partidos e setores ligados ao então governo. Em 2016, Petros e Funcef se tornaram alvos da Operação Greenfield, deflagrada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal.

Quanto aos Fundos de Pensão, tentamos em 2010 uma conversa com a Petros sobre os riscos de Belo Monte, e não fomos recebidos. Em 2016, Belo Monte causou prejuízos de quase meio bilhão de reais ao fundo de pensão da Petrobras .

Hoje, o Movimento Xingu Vivo para Sempre segue lado a lado com as populações que tiveram suas vidas destruídas por Belo Monte. Há esperanças? Não sabemos dizer. Sabemos apenas que a nossa é uma causa pela qual vale seguir na luta.

 

Rolar para cima