Organizações denunciam Belo Sun à Comissão de Valores Mobiliário no Canadá por mentir a acionistas

Novos conflitos

O local onde Belo Sun pretende instalar sua mina (o projeto é composto de duas grandes cavas, duas grandes pilhas de estéril, uma barragem de rejeitos, dois lagos de contenção, uma planta de beneficiamento, um aterro sanitário e uma estação de tratamento de afluentes) é uma área ocupada por dezenas de famílias de pequenos agricultores, assentados e garimpeiros artesanais, grande parte moradores da Vila Ressaca.
Historicamente, estas famílias vivem do extrativismo artesanal de ouro, que pouco impacta o meio ambiente, mas garante uma renda que tem possibilitado a sua sobrevivência há mais de 50 anos.
No final de maio, a despeito da decisão da Justiça que obrigou Belo Sun de se abster de fazer pressões sobre os moradores locais, começou a circular na região um grupo armado que se identifica como segurança patrimonial a serviço da mineradora. Segundo denúncias recebidas pela Defensoria Pública do Estado, estes homens pertencem à Invictus Segurança Ltda e seriam ex-militares e ex-policiais, que não apenas se instalou na localidade conhecida como Ouro verde, impedindo que a comunidade seguisse utilizando a área para atividades de subsistência – como tradicionalmente faz há décadas -, como também vem abordando moradores de forma ostensiva.
Além de gerar novos conflitos e muito medo entre os moradores, segundo a Defensoria esta presença é irregular e já gerou novo questionamento jurídico. Segundo a assessoria jurídica que acompanha o caso, este também é um fato relevante a ser informado aos investidores da empresa, por se tratarem de novas potenciais irregularidades e violações por parte de Belo Sun.

 

sobre o projeto

Belo Sun promete ser a maior mineradora de ouro a céu aberto do Brasil e quer se instalar na região de Volta Grande do Xingu, um dos locais com maior biodiversidade do mundo que já enfrenta os impactos do desvio do rio Xingu pela hidrelétrica de Belo Monte. Além das etnias Juruna (Yudjá), Arara e Xikrin, a região abriga outros indígenas não aldeados e diversas comunidades ribeirinhas.

Desde seu início, o projeto tem enfrentado numerosos processos judiciais por parte do Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual, Defensoria Pública do Estado e Defensoria Pública da União. Eles apontam diversas falhas no processo de licenciamento e nos estudos técnicos do projeto, e pedem pela anulação das licenças e pela suspensão do processo de licenciamento. Uma delas resultou em uma decisão judicial, ainda válida, que suspendeu a Licença de Construção (LI) de Belo Sun.

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